julho 17, 2010

DAZINHA

Cinquenta anos de lacunas
escritas nas linhas de expressão
que o futuro tenta esconder

Tantas rugas quanto a nata
no copo de leite, no topo
que se forma ao esfriar com meu sopro
à ele foi permitido envelhecer

É como se nada tivese acontecido
como se o tempo nao tivesse vencido

E os olhos capazes
de entender e apreender
cada ano vivido em distância
ao ler os traços conhecidos
replicados em vários rostos
em que o próprio tempo fez as pazes.

Ah, os olhos!
janelas da alma, do coração
incapazes de esconder que o tempo
nao foi capaz de destruir
laços, elos e novelos de histórias
e estórias pra boi dormir

Talvez seja a impressão
de que essa gente que vive
no meio do nada
seja tao cheia de tudo
sem estar farta das coisas
sem fazer cara de enfadada

Talvez seja a impressão
de que fora daqui, como enfeites
tudo está ao alcance das mãos
que nos dá a sensação
de que estamos sempre vazios
como agora, meu copo de leite

É a égua da cara branca
que parada, ali, no meio do nada
só faz me lembrar que quem gira é a roda
do mundo que o homem insistiu em inventar.

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