julho 01, 2010

BRÊU

É quando a noite me permite ouvir os seus ensaios
Que fico pensando o que pesa a cabeça dos homens
Sobre seus travesseiros
Os dedos cansados do controle
Ou do teclado, da tela e do texto.

A vida
O vídeo
O virtual
O veneno
O vicio

E o vidro que me separa da rua

É quando a noite me deixa ouvir seus recados
Os tique-taques desencontrados
Os amores
e sussurros
abafados

As vontades ocultas

Porque a noite quer que alguém ouça seus murmúrios
Que escute seu sorriso
O som surdo do tempo
Escoando no liso
Sem pressa

Os meandros
Os medos
As medidas
As metáforas
Os mortos
Os muros

E os murros em ponta de faca

A luz parca
E o lápis arranhando o papel.



Mar/10

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