junho 24, 2010

SOB TETOS, SOBRE CAMAS

Sob tetos, sobre camas


Tela em branco, que me mostra a fuga
Desenho toda sua estória nesta planície
E essa voz, que me dita sonhos tristes
Escreverei sobre esta cama, para onde não olhas
O que diz ser sua vida, sua história
E os cantos das paredes serão seus limites
Ao abrir os olhos ao dormir, e fechá-los ao acordar.

Pintou de azul celeste tua laje
Para separar o seu céu do de Deus
E domar teus metros quadrados de vontades
E pedir indulgências na madrugada
Esperar a esperança, como se fosse uma criança
Desabar sobre teus desejos escondidos sob a cama
E rir de suas desgraças, como seus amigos de infância.

Tem cor forte teu telhado, ele te imita
Esta cor, se não sabes, me limita
Ela se move sozinha durante a noite, enquanto dormes
E toma conta do teu quarto como um cão bravo
Que deixou sem comida novamente esta semana
Porque a rotina te sugou garganta a baixo
E para não morrer de fome, ele te devora.
E leva teus sonhos embora, sem que se dê falta.

Quando chove, pinga.
Não sei se vai ficar bem...
Já tem remendos demais esta cobertura, desfaça-os
Está na hora de suas atitudes se renovarem
De estes remendos o deixarem, e sentir-se seguro enquanto dorme
Mais que renovar o telhado precisa primeiro
Renovar a confiança em ti, antes que apodreças
E morra sufocado sob teus escombros de lembranças.

Coloquei estrelas no meu telhado
são de plástico, como todo sonho moderno
vão durar anos, talvez mais que os meus
é pra ter ao meu alcance constelações com nomes próprios
das pessoas mais impróprias



Jan/09

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